Em uma carta ao Representante Comercial dos Estados Unidos, a Nintendo pede que o país aumente a pressão internacional para que outros governos adotem medidas mais rígidas contra a pirataria (…)
A Nintendo pede que os EUA deem atenção especial ao Brasil — e o coloquem na lista dos países mais piratas do mundo, ao lado da Espanha, China e México. Para a empresa, os governos desses países não tomam medidas adequadas contra a pirataria.
A Nintendo pelo visto "acordou" para a luta contra a pirataria. A empresa alega que vem sofrendo muitas perdas por conteúdo pirata e, utilizando-se da força da indústria, quer forçar os EUA a pressionar o governo brasileiro para combater a pirataria.
Os consoles da Nintendo nunca foram fáceis de piratear, principalmente nas três últimas gerações, quando a sua mídia divergia de todo o resto da indústria, o que exigia uma mudança física nos aparelhos, tornando diminuto o índice de distribuição ilegal dos seus jogos. Todavia, a partir do Wii a situação mudou e os jogos pirateados passaram a ser regra em solo brasileiro, principalmente com a popularização da internet no país.
Ainda assim, acredito que a estratégia da Nintendo está totalmente equivocada. Há anos gigantes da indústria da música e do cinema têm seguido o mesmo caminho e não mesmo com tantos esforços não conseguem diminuir os índices (O ThePirateBay está aí vivo e forte para comprovar).
A história recente nos mostrou que, quando há força de vontade em quebrar velhos paradigmas, o mercado consegue se adaptar e lucrar com uma melhor distribuição de conteúdo. O sucesso da Valve está aí para comprovar isso, a iTunes Store também. O mercado editorial ainda não entendeu o recado muito bem, mas ao menos está tentando mudar. Quando se tem uma melhor opção, seja ela mais rápida, melhor, mais fácil ou mais barata, o consumidor prefere adquirir legalmente o produto. Atualmente, no entanto, o que pode-se ver, apenas para exemplificar, é a Nintendo tentando cobrar o mesmo preço dos seus jogos físicos na sua loja virtual. Há muitos bons jogos lançados apenas no Japão e tantos outros que carecem de localização, traduções, e adaptações ao mercado local. É praticamente um convite à pirataria em mercados emergentes como o Brasil e México.
A verdade é que a Nintendo se tornou um gigante que viu seu espaço sendo engolido nos últimos anos, para a Apple, Sony, Microsoft e até mesmo para o Android do Google. Viu seus produtos se saírem muito mal em vendas e serem obrigados a ter seus preços dramaticamente reduzidos logo após seu lançamento (estou falando de você, Nintendo 3DS). Viu seus balancetes no vermelho, seus acionistas pressionando, e agora estão desesperados tentando aparar as arestas e consertar o que está errado. Ela está errada em fazer isso? É claro que não. Ela tem todo o direito de lutar por sua propriedade intelectual. O "porém" da história é que estão aparando as arestas pela ponta errada do iceberg.
