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O cartel das operadoras de telefonia no Brasil

Há alguns dias atrás o @GordoGeek anunciou que estaria provendo um sistema de VoIP criado e administrado por ele mesmo, a GG-Tel. Com o slogan “A telefonia como ela deveria ser”, ele apresentou uma proposta diferente do que estamos acostumados a ver no mercado, com preços muito atraentes (R$ 0,02 por minuto para o fixo e R$ 0,05 o móvel) e uma infra-estrutura bem montada.

Com os primeiros usuários demonstrando bastante interesse e animação com o projeto, o serviço tinha tudo para fazer muito sucesso. Mas uma coisa aconteceu. Abaixo, algumas transcrições do que o GordoGeek relatou sobre o caso:
"No final de semana eu já tinha recebido algumas ligações de clientes (provedores VoIP) me questionando sobre eu começar a concorrer no segmento deles (...). Ontem recebi mais ligações também me questionando a respeito dos planos da GG-Tel. Em alguns casos, a conversa foi, digamos assim, num tom não muito civilizado."
"Porém, ontem quase tiraram o servidor do ar várias vezes com ataques DDoS muito intensos. Não acredito que tenha sido coincidência. Alguém incomodado claramente quis mandar um sinal."
"No sábado a noite, misteriosamente, as 10 linhas pararam de funcionar. (…) Segundo o suporte, não era problema técnico e sim comercial. (...) Depois de quase 30 minutos tentando arrancar o motivo do cara, ele deu a entender que alguns clientes disseram: “se você vender pra ele, não vai vender pra gente”. E, como nossa operação ainda é pequena, eles acabaram optando por não nos atender mais."
"Ao que me parece, o VoIP também tem seus “coronéis”, que sentam pra combinar preços e fazem pressão para que concorrentes não apareçam com preços baixos, afetando suas margens. Sejam pressões diretas, contra a própria empresa, seus fornecedores, órgãos reguladores, etc."
"Pra encurtar a história: não vão deixar a gente praticar os preços que eu queria."
Sempre ouvi falar a respeito dos cartéis. O NY Times inclusive já manifestou sua opinião sobre o assunto. Operações ilegais de combinação de preços e posturas de mercado com intuito de monopolizar determinado segmento. Todavia, sempre se ouvia falar dos cartéis dos postos de combustível, dos supermercados, etc. Sempre em empresas com poucos sócios ou único proprietário, em que a má intenção era patente e partia de poucos gestores. Ainda assim, jamais esperaria ver esta postura partindo de uma multinacional, com capital aberto, como as grandes operadoras de telefonia. Eu fui ingênuo. Muito ingênuo.

Felizmente, o Whinston (GordoGeek) ainda manterá o serviço, mas, pasmem, por conta dessas pressões, de modo a não ter de fechar seu empreendimento, teve de aumentar o preço cobrado pelo seu serviço e tornar-se um parceiro de outro provedor, que ficará à frente de uma parte do negócio, como emissão de boletos para pagamento, etc. Ainda assim, seus preços são mais baixos do que as alternativas no mercado.

Este quadro é um alerta para todos nós, que todos os dias somos vilipendiados pelas práticas abusivas dessas empresas que, como vocês puderam notar, sequer permitem a livre concorrência em sua área. A polícia e o Ministério Público têm uma enorme dificuldade em monitorar e coibir este tipo de crime, e, para completar, no Brasil sequer temos ainda um marco civil da internet e legislações específicas para ilícitos digitais para delimitar e punir este tipo de postura nefasta das grandes empresas.

Todavia, este panorama só pode mudar com a manifestação ativa da sociedade, de forma a pressionar os três poderes para que providências sejam tomadas. O Marco Gomes, fundador da boo-box, também é um ativista desta causa. Então, não deixe de espalhar a ideia, manifestar-se como puder, para que consigamos tornar a internet um ambiente mais seguro, não apenas para atrizes globais que tiram fotos sentadas no vaso sanitário, mas para todos que utilizam serviços ligados, direta ou indiretamente à internet.
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