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Kindle Paperwhite review

Desde o final do ano passado venho "namorando" a compra do Kindle Paperwhite, que foi anunciado em setembro e passou a ser vendido no Brasil em março de 2013.

Minha relutância devia-se ao fato de que eu já possuo um iPad Retina, que, dentre muitas outras coisas me permite, obviamente, ler livros. Todavia, havia algumas coisas em relação a ler com o iPad que me incomodavam bastante, como a duração da bateria e o excesso de luminosidade, então decidi dar uma chance ao Kindle.



Como diria Jack Estripador... vamos por partes:

Design e aspectos técnicos


O Paperwhite é um aparelho muito bem construído. Bastante leve, ele possui uma textura lisa na parte traseira, similar à borracha, que é muito agradável ao toque. A tela é granulada, e dá uma sensação muito boa quando passamos o dedo (epa!) por ela. Uma das minhas maiores procupações era com a lentidão, afinal de contas, para quem está acostumado com um iPad, usar algo com processamento lento é péssimo. Felizmente, o Kindle não decepcionou e é bem rápido para os padrões de ebook readers no mercado e um dos diferenciais do seu principal concorrente, também vendido no Brasil, o Kobo Glo.

A bateria, um dos maiores motivos para minha compra, é absurdamente boa. É difícil compreender como um aparelho tão leve, pequeno E com luz própria consegue durar tanto tempo fora da tomada. Você o carregará hoje e só voltará a carregá-lo, no mínimo, no mês que vem. A Amazon divulga que a duração é de 8 semanas, com a luz em 11/24 e redes (Wi Fi e 3G) desligadas, usando-o uma hora por dia. No meu uso, tive a sensação da bateria durar muito mais do que isso. O ponto negativo é que o aparelho vem apenas com o cabo USB, ou seja, você deve conectá-lo à um computador para que ele carregue ou comprar um carregador de parede, vendido separadamente.

São cerca de 2GB de armazenamento interno, estando cerca de 1,25 disponíveis para o usuário. Isso dá uma média de 1100 livros. Felizmente, ainda há mais 5GB de espaço nos servidores da Amazon. Ou seja, mesmo que o livro/documento não esteja armazenado na memória interna do aparelho, ele permanece na nuvem da Amazon, permitindo que você o baixe a qualquer momento que desejar.

O sistema operacional, bastante simples, funciona sem maiores dores de cabeça. Há uma pequena "propaganda" da Amazon, na tela inicial – se é que dá para chamar aquilo de propaganda – que exibe uma sugestão de livro para o usuário adquirir. Sinceramente, eu achei até útil. Em todo caso, eu o desabilitei nas configurações e não vi mais sinais das sugestões no Kindle.

Há apenas um botão físico no Kindle Paperwhite, localizado na parte de baixo do aparelho, que serve para ligá-lo/desligá-lo ou deixá-lo em modo de espera. Neste modo, diga-se de passagem, o Kindle exibe belos papéis de parede, sem consumir energia. Para quem está acostumado a utilizar tablets e smartphones, como eu, e nunca teve um ebook reader, é super esquisito guardar um aparelho com a tela "ligada". Mas não estou reclamando, é muito interessante o funcionamento da tela e-ink, em que só há consumo energético quando há mudança da tela.

Tela e leitura em geral


O display possui uma ótima resolução e exibe bem as letras mesmo quando o tamanho da fonte está no mínimo. Há um bom contraste, e as letras são exibidas com boa definição, porém, se estiver acostumado com um iPad Retina, não espere algo tão nítido quanto.

A iluminação, principal diferencial deste modelo, é bastante agradável aos olhos, já que utiliza uma tecnologia em que a luz não é emitida diretamente para os olhos do usuário, como acontecem nas telas LCD/LED. Ela funciona com fachos de luz emitidos pela parte de baixo do aparelho, fazendo com que a luz que você enxerga seja, na verdade, o reflexo das luzes led contra a tela e-ink, mais ou menos como aconteceria se você utilizasse uma lanterna para iluminar uma página de papel no escuro.

A opção para alterar a intensidade da luz funciona suavemente e é bastante precisa e rápida, mas me incomodou o fato da luz não poder ser desligada totalmente. Mesmo que você deixe a opção de luminosidade no mínimo permitido, ainda há luz emitida pelo aparelho. Em tese, isso não seria ruim, já que, segundo a Amazon, a bateria do aparelho é duradora mesmo com a iluminação ligada, e eu também constatei que é mais confortável utilizar o aparelho com pelo menos um pouco de luz, mesmo em ambientes iluminados e durante o dia. Mesmo assim, senti falta de não poder desligá-la totalmente. Por quê? Porque é não há motivos para não permitir esta opção e seria interessante ter mais versatilidade neste quesito. Ainda assim, como eu disse antes, não é algo que chega a incomodar de verdade.

Telas táteis são uma faca de dois gumes para a leitura: se por um lado facilitam o uso, por outro ocasionam constantes toques involuntários e, consequentemente, uma passagem de página indesejada. Particularmente, gostaria que houvessem botões físicos para passagem de página e/ou controle de luminosidade. Mas, ainda assim, é uma questão muito pessoal, e é fácil se acostumar com a tela de toque. Acredito que a maioria dos usuários não se incomode com isso.

Gerenciando o Kindle


A Amazon criou um sistema muito interessante para gerenciar os documentos enviados para o seu Kindle. Você pode, é claro, comprar na loja da Amazon diretamente no aparelho, ou comprar no PC. Logo na hora da compra já é possível escolher o dispositivo para onde você quer enviá-lo e, se o Kindle estiver ligado e com Wi Fi ou 3G ativos, ele vai baixar o arquivo automaticamente. O envio é tão rápido que eu duvido que ele seja feito depois do faturamento do cartão. Acredito que a loja envia o livro antes mesmo da compra ser totalmente finalizada.

Uma das minhas principais dúvidas antes de comprar era: Vou poder ler meus arquivos .epub sem DRM no Kindle? Sou um ávido leitor e, apesar de comprar boa parte dos meus livros, tenho muitos deles que foram adquiridos por download em sites de terceiros. Aposto que você também, não é? Bem, .Epub propriamente dito o Kindle não lê, mas você pode utilizar algum conversor (eu uso o software Calibre, que é multiplataforma) para transformá-lo em um arquivo .mobi, formato padrão da Amazon, e enviá-lo para o Kindle, tanto por email – a Amazon cria um email especial para que você envie documentos diretamente para o leitor – ou utilizando o aplicativo Send To Kindle (disponível para Windows e Macs, ou utilizando o complemento para navegadores no Chrome ou Firefox. Independentemente do caminho utilizado, o resultado é o mesmo: envio rápido e direto para o Kindle.

Os "problemas"


Como nada é perfeito, alguns "problemas" acometem o Paperwhite. Como você percebeu, utilizei as aspas por não ser necessariamente um problema, mas alguns fatores que poderiam ser melhores e que me incomodaram um pouco durante o uso.

Um deles é a falta de áudio. A Amazon já disse que o retirou para que o aparelho ficasse mais fino e leve. Como eu não utilizo audiobooks, o recurso não me fez falta. E, na minha opinião, mesmo para quem gosta de escutar audiobooks, atualmente já diversas opções para se consumir este tipo de mídia, como o smartphone ou tablet. Ainda assim, os xiitas de audiobooks podem achar ruim.

Como eu falei antes, a iluminação do Paperwhite funciona muito bem, mas, sob certas condições de luz, a iluminação no rodapé da tela não fica uniforme, mostrando alguns fachos de luz. Não é nada que incomode a leitura, e a área do texto fica com luz perfeitamente "normal", mas acho importante deixar isso registrado aqui.


É importante lembrar também que, ao contrário do seu concorrente, o Kobo Glo, o Kindle não possui suporte à cartões micro SD. Para mim, a falta não faz diferença alguma. O que fez falta mesmo foi a pouca integração com as redes sociais. Atualmente, você pode apenas se conectar à twitter e facebook para tuitar alguma passagem específica de um livro que esteja lendo.

Mais uma coisa que me incomodou foi a pouca variedade de fontes (são apenas seis!), mas reconheço que as existentes são "satisfatórias", ainda mais por haver opção de escolha de alinhamento e espaçamento entre linhas.

A única coisa que resta agora é a melhoria na oferta de livros da Amazon. O catálogo deles está crescendo rapidamente, mas em uma busca mais apurada, verifiquei que muitos títulos que venderam razoavelmente bem ainda não estão disponíveis para compra. Ainda assim, os preços, quando comparados com os praticados por iBookstore, Saraiva e Livraria Cultura, parecem ser mais atraentes, em sua maioria.

Em tempo: No Brasil, a Amazon vende o Kindle pelo site do PontoFrio. São R$479,00 (versão Wi Fi) e R$699 (versão Wi Fi + 3G gratuito unicamente para a compra de livros).

Nota 8,5/10

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