Segundo o jornal Globe and Mail, a BlackBerry desistiu dos planos de encontrar um comprador. Agora eles querem arrecadar US$ 1 bilhão com parceiros para resgatar a empresa. Eles também trocarão altos executivos, incluindo o CEO Thorsten Heins.A BlackBerry é uma empresa com uma espécie de doença crônica. Essa "patologia" pode ser notada em todos os setores da companhia, desde o suporte ruim até o marketing equivocado (Alicia Keys como Creative Director… ?) passando, claro, pelo desenvolvimento do produto com especificações claramente defasadas e poucos atrativos. Isso sem falar no fracassado Playbook, que chegou sem um cliente de email (!) e que deve ter dado um prejuízo fenomenal.
Essa característica de não enxergar corretamente a realidade e ignorar os seus próprios problemas (e concorrentes) levou a distorções dignas de um esquizofrênico, como estabelecer um preço estratosferico do modelo Z10, relegar desenvolvedores a uma posição secundária e à própria plataforma como mero "emulador" de Android, e, finalmente, a inaceitável demora em abrir o BBM para outras plataformas. Não me entenda mal, acho o BB 10 incrível, pelo pouco que pude testar, mas o design pasteurizado e ao fraco ecossistema de apps o tornam frágil frente à concorrência.
Todo esse anacronismo, somado à uma sucessão incrível de péssimos CEOs e à excessos, como a compra de um avião (e sabe-se lá o que mais) em plena crise, fez com que a empresa ficasse na difícil situação em que está hoje.
Sair dela? Apenas com um tratamento de choque – e um investimento mínimo de 1 bilhão de dólares.